Olhares Podcast | 8 de março, dia internacional da amnésia
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8 de março, dia internacional da amnésia

Omundo hoje vê o dia da mulher de uma forma glamurizada e comercial. No dia das mulheres, rosas e bombons são distribuídos, muitos parabéns são lançados. Muitas pessoas não sabem o verdadeiro contexto do dia da mulher. Se você é mulher, então é seu dia.

Ao contrário do que a maioria pensa, o dia da mulher não é uma data em que se deve celebrar a beleza feminina ou a delicadeza da mulher, muito pelo contrário, a referência aqui é de luta. Luta pela igualdade, por melhores condições de trabalho, por direitos básicos, pelo simples reconhecimento da mulher como cidadã em igualdade de direitos e obrigações. Ao longo dos anos o sentido da data foi deturpado e hoje tende apenas a reforçar um estereótipo da mulher como uma criatura frágil, indefesa e incapaz.

A respeito da comemoração do dia em si, pode até ser assim considerado, desde que a comemoração seja reflexo dos direitos até então conquistados.
Talvez comemoração não seja a palavra mais adequada a essa data. Sim, há muitas conquistas a serem comemoradas, mas a data faz referência a continuidade da luta pela igualdade. O dia da mulher deve ser encarado como uma homenagem àquelas que se dedicaram a essa luta, muitas sacrificando a própria vida.

Mas por que dia da mulher e não tem dia do homem?

É como perguntar porque existe o dia da independência mas não o dia do Brasil colônia. Como já foi dito, a referência do dia da mulher é em relação a luta pela conquista da igualdade. Não é uma comemoração pelo simples fato de alguém ser mulher, se fosse assim faria total sentido que existisse um dia do homem, mas não há um histórico de repressão do homem pela mulher, onde o homem é cerceado em seus direitos e precisa lutar para ser visto e ouvido, simplesmente como igual.

Traçando um pequeno histórico a respeito da conquista feminina, voltamos à Revolução Industrial. Muitos sabem que a revolução industrial existiu, mas por trás delas muitas coisas aconteceram. Mais precisamente na segunda fase da revolução industrial, que ocorreu entre 1850 e foi até o fim da segunda guerra mundial, duas guerras ocorreram nesse período.
Guerras significam homens indo batalhar, mulheres ficando em suas casas, principalmente nas cidades. Num contexto patriarcal da época, mulheres e filhos tiveram seus maridos/pais/provedores arrancados de suas casas com vistas a uma questão maior, que, em tese, era a defesa de seu país.

Em 1857, operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque fizeram greve, para reivindicar melhores condições de trabalho, redução na carga diária para 10 horas (sendo que as fábricas exigiam ate 16h) e equiparação de salários com homens, sendo que recebiam apenas 1/3 do salario deles para executar o mesmo serviço (parece familiar para você?) Estas mulheres foram trancadas na fábricas e ali foram queimadas vivas. Cerca de 130 tecelãs morreram.

Na mesma época, cerca de 1.500 mulheres aderiram às reivindicações por igualdade econômica e política no dia consagrado à causa das trabalhadoras. A celebração do dia da mulher foi um estopim que ocasionou uma greve geral dos trabalhadores do vestuário, em sua maioria mulheres jovens, em novembro de 1909. A paralisação durou 13 semanas e provocou o fechamento de mais de 500 fábricas de pequeno e médio portes. As condições de trabalho, no entanto, não melhoraram muito.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857.

Veja bem, entre 1857 e 1910 se passaram quase sessenta anos.

 

A primeira guerra mundial ocorreu entre 1914 a 1918.

Do outro lado do mundo, operárias russas também trabalhavam nas fábricas e reivindicaram os mesmos direitos das americanas antes do término da guerra: melhores condições de vida e trabalho, além do direito de voto. Além disso, ainda lutavam contra a fome que assolava o país, contra o czar Nicolau II e contra a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Para os estudiosos, esse foi apenas mais um acontecimento que fortaleceu a organização feminina.

Em 1968 ocorreu a chamada “queima dos sutiãs”, quando as mulheres lutaram, mais uma vez, por dignidade, O movimento contou com aproximadamente 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) que, aproveitando um concurso de beleza, protestaram contra a visão arbitrária e opressiva em relação às mulheres.

Tudo isso parece muito ultrapassado para você?

Foi somente em 1975 que o Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela ONU (Organização das Nações Unidas). E daí se passaram mais de 40 anos e as mulheres continuam lutando por direito ao voto, pelo direito de serem votadas, direitos iguais de acordo com a Constituição Federal, igualdade no lar e no espaço de trabalho, salários equânimes e oportunidades de ascensão.

Não basta representar 51% da população.

Nós mulheres não devemos apenas levantar bandeiras, mas seguir a linha de conscientização e, quem sabe assim, alcançar alguma sensibilização.

É seguindo os argumentos menos reativos que possam ir levando a um reconhecimento e empatia, primeiro entre as mulheres e dai para os homens, que conseguiremos alcançar, dia a dia, os direitos que tanto procuramos.

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