Olhares Podcast | Homem Feminista?
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Homem feminista

Homem Feminista?

Não sei se é diferente da sua, mas a minha vida sempre foi movida por perguntas. Devo? Posso? Sei? Faço? Isso pra falar de questões mais gerais, atemporais e básicas, bem básicas, do tipo: Devo usar um casaco hoje? Ou: Por que arrumar a cama? Não, espera, essa é complexa. Em todo caso, foram sempre as perguntas que motivaram as buscas pelo conhecimento. Ainda na escola “Quanto são dois mais dois?”, “Quem descobriu o Brasil”, “Como nascemos?” etc.

Sabemos e aprendemos porque questionamos, procuramos pelas respostas. Mas é sempre assim? Não, claro que não. Muitas vezes as coisas acontecem de maneira natural na vida e você internaliza e segue vivendo, vai na onda. Essa é a hora do porque sim ou porque não. Na verdade você não questiona, e se questiona a reposta nem é resposta é fuga da pergunta, daí você finge que aceita e segue a vida.

O fato é que pra mim sempre foi bem difícil aceitar esse “porque sim” assim, sem espernear. Foi quando percebi que o “porque sim” na verdade é um “não sei” disfarçado. Uma espécie de “não sei, mas todo mundo faz assim então deve ser o certo”. Pra mim não bastava.

Foi assim que o feminismo entrou na minha vida. Não pela pergunta mais óbvia “O que é feminismo?”, mas antes mesmo de eu saber o que era feminismo, quis saber porque a mulher que deve carregar o nome do homem e ele não leva o dela, porque as mulheres cuidam dos filhos e da casa e os homens trabalham — sim, sou dessa geração — porque meninas usam rosa e meninos usam azul, e infinitas outras. As respostas eram sempre as mesmas “porque sim”, “porque sim”, infinitas vezes.

Comecei a enxergar naquilo tudo um misto de fuga, arrogância, prepotência, ignorância. Nunca conhecimento, nunca honestidade, nunca equilíbrio. Eu me questionava se estava fazendo as perguntas certas, afinal eram simples demais pra serem respondidas com evasivas. Não, as perguntas não estavam erradas. As respostas também não. Simplesmente porque não eram respostas. Eram falácias, argumentos falidos na essência que não conseguiam se justificar.

Então decidi manter as perguntas, não para construir novas respostas, mas para lembrar que todas essas perguntas, sobre diferenças entre homens e mulheres que não tivessem respostas válidas, correspondiam a uma situação que deveria deixar de existir. É daí que vem o feminismo. Do enfrentamento de uma situação que não tem uma explicação plausível com base na igualdade. Homens e mulheres têm muito mais semelhanças que diferenças e isso deveria se refletir no tratamento dado a homens e mulheres. Trocando em miúdos, em muito poucas situações o tratamento deve ser diferente dado a homens e mulheres, ou seja, em muito poucos casos este tratamento se justifica.

Ao final, se você me pergunta: Por que você é feminista? Te respondo sem a menor dúvida. Porque sim, somos muito mais iguais do que parece.

Texto originalmente publicado no Medium do Marcondes Saraiva

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