Olhares Podcast | Eu, lésbica.
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Dia da visibilidade lésbica

Eu, lésbica.

Já estamos no fim do mês de agosto, mas não podemos nos esquecer que é o mês da visibilidade lésbica – o dia nacional da visibilidade lésbica foi comemorado ontem, dia 29 de agosto. Dar visibilidade é demonstrar a necessidade de direitos para as mulheres, é demonstrar que sua pauta é também importante. Além de tudo, é dar espaço de fala, respeitando suas necessidades individuais.

De acordo com a Wikipedia, a palavra lésbica vem do latim lesbius e originalmente referia-se somente aos habitantes da ilha de Lesbos, na Grécia. A ilha foi um importante centro cultural onde viveu a poeta Safo, entre os séculos VII e VI a.C., muito admirada por seus poemas sobre amor e beleza, em sua maioria dirigidos às mulheres. Por esta razão, o relacionamento sexual entre mulheres passou a ser conhecido como lesbianismo ou safismo.

Recentemente, na gravação de um episódio do nosso podcast, nos deparamos com a inadequação do uso da linguagem. Muitas vezes recorremos ao termo “mulher homossexual” ou “gay” para denominar mulheres lésbicas. O uso do termo lésbica não é visibilizado, não atinge todas mulheres como denominação e muitas vezes é discriminado.

Uma de nossas ouvintes, Ticiana Valle, host do MachineCast e do Portal Cultura Nerd & Geek, é lésbica e nos contou um pouco sobre como ela se sente dentro desse movimento, suas expectativas e se ela se identifica como mulher lésbica:

Chamo-me Ticiana, tenho 34 anos, me identifiquei como lésbica desde que consigo me lembrar. Sempre tive crushs em atrizes e cantoras quando era mais nova. Então meio que sempre fui assim. Mas só fui me assumir mesmo com 18 anos.
Não conheço muito do movimento LGBT. Confesso que mantenho distância de militâncias porque não aguento as discussões e o radicalismo de algumas. Prefiro conversar com as pessoas despretensiosamente. Mas ele é extremamente importante. Muita gente não estaria aqui hoje sem esses movimentos. Desde o início, em São Francisco, até hoje o movimento é quase um anjo da guarda das pessoas LGBT.
Fiquei sabendo sobre o mês da visibilidade lésbica através de uma amiga que me enviou o link e também através de postagens no Facebook. Não li muito sobre, mas salvei os links para saber do que se trata depois. Quero me envolver mais com essas coisas e aprender mais sobre o que posso fazer pra ajudar nesse sentido.
Não sou muito de usar o termo lésbica. Acho pejorativo, depois de tantos anos sofrendo preconceito. Meu círculo de amizades tem outros apelidos mais carinhosos.
Recentemente li um livro sobre uma mulher que se apaixona por uma colega de trabalho e entra em crise por ter que repensar o que ela pensava sobre sua sexualidade. Conversando com uma amiga, ela pergunta se é bi, no que a amiga responde que se isso a deixar confortável, ela poderia se considerar bi. Acho que rótulos funcionam pra quem precisa deles. Se você não precisa, não se limite.

Os movimentos de luta pela representatividade podem ajudar mulheres a terem um olhar mais crítico sobre si e sobre a sexualidade, e o uso dos termos na identificação da própria sexualidade constituem um fator de extrema importância na construção do próprio movimento. O preconceito, que envolve não só o estigma a respeito da homo ou bissexualidade feminina, leva ao que chamamos invisibilidade da própria sexualidade feminina, como constata o Dossiê da Rede Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos: Saúde das Mulheres Lésbicas.

As mulheres lésbicas são brancas, negras, índias, mães, esposas e, acima de tudo, mulheres. Todas possuem seus espaços individuais e convivem no meio social. São mulheres comuns, elas estão em casa, nas escolas e universidades, nos hospitais, nas ruas, na política e nos espaços públicos em geral.

Para saber mais: Dossiê da saúde da mulher lésbica.