Olhares Podcast | Por que falar em “Dia da Consciência Humana” no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, é refletir o racismo estrutural?
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Mulher Negra

Por que falar em “Dia da Consciência Humana” no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, é refletir o racismo estrutural?

1 – O Dia da Consciência Negra não é uma data que visa a superioridade da etnia negra sobre as demais que constituem o Brasil. É uma data que serve à reflexão acerca do racismo que assola os negros e negras brasileiras mesmo 130 anos após a abolição da escravatura.

2 – Falar em “Dia da Consciência Humana” significa relativizar ou mesmo silenciar as demandas de negros e negras por igualdade racial, tendo em vista que é esta parcela da população a detentora das piores taxas que refletem o desenvolvimento humano brasileiro.

3 – Quando mais de 60% da população carcerária brasileira é composta por negros e pardos, as mulheres negras recebem menos da metade da média dos salários pagos a homens brancos, e negros representam mais de 70% das vítimas de homicídios cometidos no país, têm-se a evidência de que a cor da pele negra, no Brasil, para além da estigmatização estética, representa uma população extremamente vulnerável e que deve ser alvo de políticas públicas afirmativas.
Conforme demonstrado, não existe igualdade racial no Brasil. A pauta “Dia da Consciência Humana” é mais uma tática do racismo estrutural para esvaziar de significado o Dia da Consciência Negra, que salienta séculos e séculos de exploração da população negra e faz lembrar que a luta por igualdade racial é papel diário de todos aqueles comprometidos com ideais de justiça, civilidade e direitos humanos.

Texto: Raphael Cavalcante

Ilustração: Beatriz Corradi