Olhares Podcast | Resenha do filme: Com amor, Simon.
829
post-template-default,single,single-post,postid-829,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,vertical_menu_enabled,qode-title-hidden,qode_grid_1300,side_area_uncovered_from_content,qode-content-sidebar-responsive,qode-theme-ver-10.1.1,wpb-js-composer js-comp-ver-4.12,vc_responsive

Resenha do filme: Com amor, Simon.

Recentemente recebi convite para a pré-estreia do filme Com amor, Simon – adaptação do livro de mesmo nome. A recomendação era que só fossem pessoas que tivessem realmente interesse no tema e que não fossem intolerantes em a relação a pessoas LGBTQIAP*. Pessoalmente achei desnecessária essa recomendação, mas pensando num mundo de intolerância que vivemos pode fazer algum sentido.

O filme tem uma história simples que remete às comédias adolescentes dos anos 80 – lembrei diretamente do filme Admiradora Secreta. Tudo começa quando um aluno cujo codinome é “Blue” posta no tumblr da escola que é gay. Simon Spier (Nick Robinson) – que também é – resolve entrar em contato com essa pessoa misteriosa. Para isso ele usa um apelido e e-mail falsos para manter o anonimato. A conexão entre eles é enorme e tudo vai muito bem até que os e-mails vazam, Simon começa a ser chantageado e aí começam os problemas.

Claro que o filme tem algumas coisas que incomodam principalmente a invisibilização de lésbicas e bissexuais, mas vale lembrar que no Estados Unidos o termo “gay” é usado também por lésbicas. No geral o filme trata muito bem a questão de relacionamento com a família. O protagonista possui vários amigos e é um típico adolescente que goza de certa popularidade. Mas quando esse mundo vem a ruir, como fazer? Como reagir quando ele é obrigado a sair do armário? Como lidar com essa pressão da sociedade e dos amigos? Como explicar que ele fez escolhas erradas para poder esconder sua relação e sua orientação homossexual? Como se livrar dos problemas advindos? E relação amorosa dele será que tem futuro? Muitas questões e devo dizer que todas elas passam pela cabeça de um adolescente.

Nisso o filme ganha pontos, ele realmente consegue passar toda a angústia, medos, e também a felicidade quando as coisas dão certo. Outro mérito do filme é a fuga de clichês em relação aos personagens principais. A direção inclusive acertou ao deixar a tela azulada toda vez que Simon tenta imaginar se um de seus amigos ou colegas de escola é o misterioso Blue. Mesmo em se tratando de uma comédia romântica, o filme trata todas as inquietudes da adolescência de uma forma natural, sem exageros, e também não apelam para um fim trágico que é algo corriqueiro quando se trata de filmes que mostram relações homoafetivas. Com amor, Simon é uma história de amor, um filme que tranquilamente poderia passar na Sessão da Tarde dos nossos anos 20.

 

*Lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, pessoas intersexo, assexuais e pansexuais.

Fabris Martins, design, clipping e revisão no Olhares Podcast.